Depois
do Carnaval, um dos eventos mais esperados do calendário brasileiro são
as festas juninas que, todo o mês de junho, com muita música caipira,
quadrilhas, comidas e bebidas típicas, homenageiam três santos
católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.
Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil.
As festas de Santo Antonio e de São Pedro só começaram a ser
comemoradas mais tarde, mas como também aconteciam em junho passaram a
ser chamadas de festas juninas. O curioso é que antes da chegada dos
colonizadores, os índios realizavam festejos relacionados à agricultura
no mesmo período. Os rituais tinham canto, dança e comida. Deve-se
lembrar que a religião dos índios era o animismo politeísta (adoravam
vários elementos da natureza como deuses).
As primeiras
referências às festas de São João, no Brasil, datam de 1603 e foram
registradas pelo frade Vicente do Salvador, que se referiu aos nativos
que aqui estavam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os
festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de
novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e
capelas”.
Na
Europa antiga, bem antes do descobrimento do Brasil, já aconteciam
festas populares durante o solstício de verão (ápice da estação), as
quais marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24, diversos povos ,
como celtas, egípcios e sumérios, faziam rituais de invocação da
fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, prover a fartura
nas colheitas e trazer chuvas. Nelas, ofereciam-se comidas, bebidas e
animais aos vários deuses em que o povo acreditava. As pessoas dançavam
e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos.
As origens
dessa comemoração também remontam à antiguidade, quando se prestava
culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa
deusa eram denominados “junônias”. Daí temos uma das procedências do
atual nome “festas juninas”.
As celebrações coincidiam com as
festas em que a Igreja Católica comemorava a data do nascimento de São
João. Por isso, com o tempo, foram adaptadas para o calendário cristão.
Os primeiros países a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e
Portugal.
Sincretismo Religioso
Religiões
de várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia, usam o período de
festas juninas para manifestar sua fé junto com as comemorações
católica. O Candomblé, por exemplo, ao homenagear os orixás de sua
linha, mistura suas práticas com o ritual católico. Assim, durante o
mês de junho, as festas romanas ganham outra roupagem, com muito samba
de roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas.
Paralelamente as bandas musicais se espalham pelas ruas das cidades
baianas durante os festejos juninos.
Um fator fundamental na
formação do sincretismo é que, de acordo com as tradições africanas,
divindades conhecidas como orixás governavam determinadas partes do
mundo. No catolicismo popular, os santos também tinham esse poder.
“Iansã protege contra raios e relâmpagos e Santa Bárbara protege contra
raios e tempestades. Como as duas trabalham com raios, houve o
cruzamento. Cultuados nas duas mais populares religiões
afro-brasileiras – a umbanda e o candomblé – cada orixá corresponde a
um santo católico. Ocorrem variações regionais. Um exemplo é Oxóssi,
que é sincretizado na Bahia com São Jorge mas no Rio de Janeiro
representa São Sebastião. Lá, devido ao candomblé, o Santo Antônio das
festas juninas é confundido com Ogun, santo guerreiro da cultura
afro-brasileira.
Superstições
1-A Puxada do Mastro
Puxada
do mastro é a cerimônia de levantamento do mastro de São João, com
banda e foguetório. Além da bandeira de São João, o mastro pode ter as
de Santo Antonio e São Pedro, muitas vezes com frutas, fitas de papel e
flores penduradas. O ritual tem origem em cultos pagãos, comemorativos
da fertilidade da terra, que eram realizados no solstício de verão, na
Europa.
Acredita-se que se a bandeira vira para o lado da casa
do anfitrião da festa no momento em que é içada, isto é sinal de boa
sorte. O contrário indica desgraça. E caso aponte em direção a uma
pessoa, essa será abençoada.
2-As Fogueiras
Sobre
as fogueiras há duas explicações para o seu uso. Os pagãos acreditavam
que elas espantavam os maus espíritos. Já os católicos acreditavam que
era sinal de bom presságio. Conta uma lenda católica que Isabel prima
de Maria, na noite do nascimento de João Batista , acendeu uma fogueira
para avisar a novidade à prima Maria, mãe de Jesus. Por isso a tradição
é acendê-las na hora da Ave Maria (às 18h).
Em cada uma das três
festas exige um arranjo, diferente de fogueira: Na de Santo Antonio, as
lenhas são atreladas em formato quadrangular; na de São Pedro, são em
formato triangular e; na de São João possui formato arredondado
semelhante a uma pirâmide.
3-Os Fogos de Artifício
Os
fogos eram utilizados na celebração para “despertar” São João e
chamá-lo para as comemorações de seu aniversário. Na verdade os cultos
pirolátricos são de origem portuguesa. Antigamente em Portugal,
acreditava-se que o estrondo de bombas e rojões tinham como finalidade,
espantar o diabo e seus demônios na noite de São João.
4-Os Balões
O
padre jesuíta Bartolomeu de Gusmão, inventor do balão de ar quente,
figura ilustre entre os brasileiros, por soltar balões em festas
juninas da sua época, foi o precurssor dessa prática.
Hoje, como
sabemos, as autoridades recomendam a população a abster-se de soltar
balões por causa dos incêndios. Essa brincadeira virou crime em 1965,
segundo o artigo 26 do Código Florestal. Também está no artigo 28 da
lei das Contravenções penais, de 1941. O infrator pode ir para a
cadeia. Não obstante, essa prática, apesar de muito diminuída, vem
resistindo às proibições.
Todos os cultos das festas juninas
estão relacionados com a sorte. Por isso os devotos acreditam que ao
soltar balão e ele subir sem nenhum problema, os desejos serão
atendidos, caso contrário (se o balão não alcançar as alturas) é um
sinal de azar.
A tradição também diz que os balões levam
os pedidos dos homens até São João. Mas tudo isso
não passa de crendices populares.
FONTE:
- Bíblia de Jerusalém; - http://www.cacp.org.br/festas_juninas.htm