I. Os dias de homenagem Desde a mais remota antiguidade, os homens criaram os "dias de homenagem" para aquelas coisas que fossem muito importante para o grupo social ou comunidades da qual fazem parte.
Do passado distante, guardamos os ecos, que são lembranças nem sempre claras do sentido original e primitivo da homenagem. Por exemplo, nos solísticios e nos equinócios, cultos agrários à natureza, ao sol e a vida, o cristianismo foi buscar as festas de São João. E o Natal, simbolizando o dia do nascimento do Cristo.
A sociedade moderna muito tem aumentado o numero dos "dias de homenagem".
Para cada dia do calendário há pelo menos um santo padroeiro, datas nacionais. Homenageiam-se os parentes, as profissões, as pessoas vivas e as pessoas mortas.
Nesses "dias de homenagem", sejam festivos, cívicos ou religiosos, costumamos enaltecer ao objeto da homenagem. É costume nessas datas que as homenagens valorizem as características e aos méritos dos homenageados. Assim, a figura do pai,
o amor à mãe, o respeito aos mortos, a grandeza da pátria, as qualidades de uma profissão ou de uma associação.
Assim tem sido como o Dia do Maçom, onde a grandeza da instituição e a alegria dela participar tem sido a tônica das comemorações nas Lojas. Aliás, homenagens demais singelas para uma ordem que os próprios maçons intitulam "a Sublime Instituição".
Entretanto,porque no Brasil "os filhos da viúva" escolheram precisamente essa data como o "seu dia"?
Necessariamente, por si só, ela há de ser uma data muito importante na ordem das coisas. Afinal, os maçons elegeram o 20 de Agosto, pinçado entre os demais 365 dias de um determinado ano do século XIX.
E os maçons brasileiros, tão pródigos em escrever e comentar sobre a grandeza da maçonaria na Europa, nos Estados Unidos, nos demais países das Américas, no mundo, quase sempre silenciam sobre o significado do dia 20 de Agosto.
II. A Independência do Brasil "... No dia 20 de Agosto, em sessão do Grande Oriente, com Ledo na presidência, D.Pedro era aclamado Imperador do Brasil, tendo sido, essa sessão, a Verdadeira proclamação da Independência, feita pela Maçonaria Brasileira, doa a quem doer..."(José Castellani, em "Os Maçons que fizeram a História do Brasil").
"...Ninguém ignora que a Independência nacional foi concertada e proclamada entre as quatro paredes dos templos maçônicos"(Adetino de Figueiredo Lima,
em "Nos Bastidores do Mistério")
Autores , como Francisco Adolfo Varnhagem(em "História da Independência do Brasil") e Pedro Calmom (em História Social do Brasil"), e muitos outros, referem-se à ação da Maçonaria na Independência. Mas escrevem como historiadores profanos
e não com o conhecimento de irmãos.
E como ensina o Irmão A.T. Cavalcante de Albuquerque, sendo raros os comentários maçônicos sobre os fatos, vamos nos utilizar das palavras de um intelectual brasileiro insuspeito de enaltecer a instituição , por ser talvez o mais ferrenho inimigo do liberaismo e da Maçonaria em particular: Gustavo Barroso.
O irmão Cavalcante de Albuquerque, em seu livro "O que é Maçonaria", pág. 168, a ele se refere como "inimigo incondicional da Maçonaria", e dele transcreve: "A Independência do Brasil foi realizada à sombra da Acácia, cujas raízes preparam o terreno para isso. É o que a documentação histórica nos ensina e prova." (Gustavo Barroso, "História Secreta do Brasil, p'g. 228).
III. Guatemozin à sombra da acácia "Os raios da Grande Luz, que desde as mais remotas épocas iluminara a Ásia e o Egito, e fulgara hoje na Europa, não podia deixar de penetrar um dia na Terra de Santa Cruz" (diztextualmente o manifesto do Grande Oriente do Brasil, escrito em 1831, por Gonçalves Ledo e assinado por José Bonifácio, publicado em 1832, historiando a ação da maçonaria no nosso país. No manisfesto, a independência é nominada "Independência Maçônica", cita Gustavo Barroso).
Segundo o citado autor, a declaração pública "Independência ou Morte", já estava resolvida nos subterrâneos. Rio Branco, anotava Varnhagen, diz que a independência já fora proclamada pela maçonaria na sessão de 20 de agosto em assembléia geral do povo maçoônico, reunidas na sede do apostolado as três Loja Metropolitanas, sobre a presidência de Gonçalves Ledo.
Não se sabe ao certo que papéis o Imperador recebeu naquela ocasião ( no "grito"). Textualmente, Meneses Drumond, na obra de Varnhagen, pág. 183/184, diz: "O príncipe, sendo industriado pelo seu ministro José Bonifácio, grão mestre da ordem,
da proclamação da Independência do Brasil em 20 de agosto.
Foi provavelmente a notícia recebida no Ipiranga.
A Ata da reunião da Assembléia do dia 20 de agosto, lida, analisada e citada por inúmeros historiadores, presentemente não está disponível nos Arquivos do Grande Oriente do Brasil. Segundo uns, está desaparecida. Conforme outros, encontra-se velada aos olhos profanos. Certamente há entre nós alguns que tiveram o privilégio de tê-la visto. O Irmão João Maurício Alves, com certeza, é um deles.
IV. O Imperador do sacrifício Conforme Rocha Martins, citado em "História Secreta do Brasil":
"Guatemozin foi em 1497 um imperador azteca de anahuac, México, filho do rei Ahintzote, o sucessor do irmão de Montezuma II. Foi martirizado pelos conquistadores espanhóis, queimado vivo para entregar a segredo das riquezas de seu povo. Por isso foi chamado de o Imperador do Sacrifício.
Comenta Barroso que o nome Guatemozin já fora aplicado no Brasil a uma das Lojas pernambucanas que participaram da revolução de 1817.
Mas é evidente que não concordamos com o ilustrado historiador Gustavo Barroso que, no afã de combater a Maçonaria em sua obra, afirma:
Pedro inspirou-se para adotar o nome Guatemozin numa antevisão que seria atraiçoada e sacrificado pelo povo maçônico E textualmente finaliza: "para Pedro Guatemozin a sombra da acácia foi uma sombra venenosa e traidora..."
O Irmão Pedro sacrificou-se, sim. A Independência o fez separar-se de Portugal, sua terra nativa, berço de todos os seus ancestrais, perdendo seu direito ao trono. Perdeu, também, o império brasileiro, pois a Maçonaria não o apoiava apenas por ser o Imperador, mas principalmente, pelo ideal de liberdade e igualdade.
Mas continuou maçom. E como também disse o próprio Barroso, Ganhou o reino de Portugal para sua filha, escrevendo então o mais belo capítulo de sua vida: o capítulo final.
V. O Dia do Maçom O 20 de Agosto representa tudo isso. E mais. Mais, o que não pode ser dito porque há que se respeitar, primeiro, a Lei do Silêncio, e depois, a comunicação entre os diversos graus. Muito mais, porque na Maçonaria nem sempre se falam ou se escrevem palavras. Cria-se símbolos e alegorias, para perpetuar no futuro a história do presente, como os antigos fizeram com a história do passado.
Sete de Setembro é o dia em que o Brasil se libertou. E 20 de Agosto é, e sempre será, o dia do maçom brasileiro.
Que nesse dia todos os Maçons , mesmo em pensamento, formem a Cadeia da União. E nela encontrarão incontáveis, novos e antigos poderosos elos.
Porque o GADU permitirá a especial presença de milhares de irmãos anônimos, aqueles que honraram a condição de maçons a serviço da Pátria.
E para homenagear todos aqueles que promoveram a "independência maçônica do Brasil", destacamos como símbolo um punhado de nomes apenas: Antônio Carlos de Andrade e Silva, Arruda Câmara, Bispo Azeredo Coutinho, Antônio Peregrino Maciel Monteiro, Cipriano Barata, Padre Diogo Antonio Feijó, Evaristo Ferreira da Veiga, Frei Sampaio, Hipólito José da Costa, Cônego Januário da Silva Barbosa, Joaquim Gonçalves Ledo, José Bonifácio de Andrada e Silva, José Clemente Pereira, Pedro I.
DUQUE DE CAXIAS
A.'.R.'.L.'.S.'. DUQUE DE CAXIAS N°70
Luiz Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias, deu nome à Loja por decisão dos fundadores, que quiseram homenagear esse grande militar e maçom brasileiro
Não consta que o genitor de Caxias tenha sido maçom. Não se encontrou
documento nenhum a respeito. Já um tio dele, José Joaquim de Lima e Silva,o Visconde de Magé, foi maçom muito ativo.
Também não se sabe exatamente quando e em que Loja Luiz Alves teria sido iniciado. Supõe-se que tenha sido em 1841 ou 1842, na Loja São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro. Em 1846 ele já possuía o grau 33, do Rito
Escocês.
A Loja a que pertencia Luiz Alves estava sob jurisdição do Supremo Conselho
Brasileiro, fundado em 1829 por Montezuma (futuro Visconde de Jequitinhonha), então a única Potência Filosófica legítima no Brasil.
O Supremo Conselho "Montezuma" se ligara ao Grande Oriente Brasileiro "do
Passeio", mas, em 1847, fundou seu próprio Grande Oriente, convidando o então Conde de Caxias para ser o Grão-Mestre da nova Potência, que ficou conhecida como Grande Oriente Brazileiro "de Caxias", para distingui-la do Grande Oriente "do Passeio". Em 1847, Caxias pertencia aos quadros da Loja União Escoceza, do Rio de Janeiro.
Caxias, então residindo no bairro da Glória, na Rua do Catete, nº 2, permaneceu no Rio de Janeiro de 1845 a 1851, podendo, nesse período, se dedicar às lides maçônicas. Em 1849, começou a estudar a possibilidade de fundir seu grêmio com o Supremo Conselho de Grande Oriente do Brasil, "do Lavradio", fusão que se concretizaria em meados de 1854.
Várias Lojas foram fundadas no Grande Oriente de Caxias. Entre elas, no dia
5 de janeiro de 1852, era fundada em Santos, com Carta Constitutiva
assinada por Caxias, a Loja Fraternidade, a mais antiga Loja Maçônica santista em atividade.
Em uma relação dos Membros Efetivos do Supremo Conselho do Brasil, desde sua instalação até 1882, publicada pelo Grande Oriente do Brasil, em 1896, o nome do então Marquês de Caxias aparece sob o nº 35, em 1854.
Antes, já recebera o título de Grão-Mestre Honorário do Grande Oriente do Brasil.
Em 1869, quando já era Duque, Caxias recebeu a incumbência de ser o
representante do Supremo Conselho da Inglaterra junto ao Grande Oriente do
Brasil, tendo se mantido nesse cargo até seu falecimento, em 1880.
Quando da chamada "Questão Religiosa", Caxias foi chamado por D. Pedro
II, em 1875, para assumir o Ministério da Guerra e para organizar o novo Conselho de Ministros. Segundo Afonso de Carvalho, que escreveu uma biografia de Caxias, este aceitara o cargo com a condição de se conceder a anistia aos bispos já condenados, o que o Imperador, a contragosto, aceitou.
A retribuição do clero a esse gesto de Caxias veio com a sua expulsão da
Irmandade da Cruz dos Militares, do Rio de Janeiro, sob a alegação de que era maçom.
Por ironia, na Igreja da Irmandade da Cruz dos Militares é que foi realizada a
vigília cívica da essa armada do dia 24 ao dia 30 de agosto de 1949, quando do translado dos restos mortais de Caxias para o Panteão Militar.
Em 28 de março de 1972, no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi inaugurado um Museu dedicado ao Patrono do nosso Exército. O jornal "O Globo", edição do dia seguinte, noticiava o fato, acrescentando que "lá se encontravam até armas com símbolos maçônicos". Podemos supor que as "armas com símbolos maçônicos" fossem as espadas usadas em Sessões Ritualísticas de Lojas".
DIA DOS PAIS
Este homem que eu admiro tanto,
com todas as suas virtudes e também com seus limites.
Este homem com olhar de menino, sempre pronto e atento,
mostrando-me o caminho da vida, que está pela frente.
Este mestre contador de histórias
traz em seu coração tantas memórias,
espalha no meu caminhar muitas esperanças,
certezas e confiança.
Este homem alegre e brincalhão,
mas também, às vezes, silencioso e pensativo,
homem de fé e grande luta,
sensível e generoso.
O abraço aconchegante a me acolher, este homem,
meu pai, com quem aprendo a viver.
Pai, paizinho, paizão...
meu velho, meu grande amigão, conselheiro e leal amigo:
infinito é teu coração.
Obrigado, pai, por orientar o meu caminho,
feito de lutas e incertezas
mas também de muitas esperanças e sonhos!